Qual a importância da literatura? Para a vida, é sua capacidade de compartilhar momentos, culturas, valores e experiências.

Na escola, ela é uma das peças fundamentais no mosaico do desenvolvimento dos estudantes. Encaixando-se na percepção crítica e participante da realidade, na construção de sentidos objetivos e subjetivos, movimentando a sensibilidade criativa, compreendendo e aproximando pessoas.

poetisaNesse ambiente de aprendizagens, indiscutivelmente a valorização de obras literárias consagradas nacionalmente e mundialmente está presente. Aqui no Pioneiro, nas turmas de 7º ano, a literatura marginalizada – longe de qualquer sentido pejorativo –, também mereceu espaço. Materializou-se com Carolina Maria de Jesus e seus comoventes relatos escritos em um ponto pobre de uma São Paulo distante (1958) que insiste em se repetir.

Carolina Maria estudou os primeiros anos da escola, foi catadora de recicláveis, mãe solteira de três filhos. Porém, seu maior atributo: POETISA.

Registrou com maestria a dura rotina, algumas vezes com a raiva necessária à batalha, outras tantas com o amor indispensável à sobrevivência; sempre verdadeira. Sua linguagem escrita imersa em desvios de padrões reproduz sua vivência, servindo de auxílio à reflexão dos estudantes sobre seu idioma.

Neste ano, comemoramos o centenário de nascimento da autora, agradecendo sua produção e ensinamentos. Aqui, na cidade suporte para sua arte, na semana de reconhecimento do valor de sua raça, acontece a Flinksampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra. Nela promoveu-se um concurso literário, baseado na obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada.

Nós participamos, expondo a coragem de alguns estudantes. Todos venceram, por tomar parte. Um dos trabalhos, Chuleto na favela Kiwi, foi classificado pela banca avaliadora do evento como o 6º melhor texto.

Parabéns à poetisa, aos estudantes Erika Tiemi, Fernanda Thiemy, Marina Baroni, Marina Mai, Mika Uehara, Murilo Polimonti e Tatiana Miura. Vivas ao
respeito e à diversidade!

Entre neste universo, aproveitando a experiência proporcionada…

Francisley da Silva Dias – Professor de Língua Portuguesa.

 

Chuleto na Favela Kiwi

Na favela Kiwi nasceu Chuleto, um jovem bebê paulistano que já sofria fome com apenas uma hora de vida em um ambiente sujo e cheio de ratos. Conforme crescia, se tornava um menino astuto e ágil. Ele nunca saiu da favela Kiwi. Com doze anos a doação de comida que recebia parou. Com isso Chuleto teve que arranjar dinheiro, procurando emprego. Tentando de lugar em lugar todos o rejeitaram porque ele sempre quebrava algo. Um parceiro de sua mãe arrumou-lhe emprego no restaurante Virada à Paulista.

Chuleto começou seu emprego de garçom, fez um amigo chamado Chorizo, também garçom. No mês seguinte, no dia do pagamento, Chuleto não recebeu o salário, sem perceber trabalhou por dez dias de graça. Quando reclamou, seu chefe pagou meio salário. Continuou trabalhando normalmente recebendo salário a cada dois meses. Chuleto foi falar com Chorizo; o amigo falou que ele deveria receber o salário mensalmente. Após Chuleto conversar com o chefe, passou a receber assim.
O valor era pouco, então Chuleto virou policial, foi para a ROTA, para investigar e prender traficantes. Lá ele recebia muito e adorava o trabalho.

Após alguns anos, descobriu que sua mãe era uma grande traficante e ele deveria prendê-la. No dia seguinte, invadiu a própria casa, para prender a própria mãe, Pomplona. No meio do tiroteio atingiu-a, prendendo-a.

Chuleto acabou morto pelo parceiro da sua mãe, com um tiro nas costas.

(Murilo Polimonti, 7º ano C)