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Recentemente o professor Diogo Colela participou do campeonato pan-americano de judô realizado em Cuba e voltou para casa com a medalha de ouro, conquistada em dupla com Marcus Michelini.

Popularmente o judô é visto como um esporte disputado de forma individual, mas você sabia que ele também é praticado em duplas? Para entender a diferença, vamos explicar aqui sobre o kata. Sabe o que significa?

O kata é um conjunto de movimentos de ataque e de defesa desenvolvido em diversas artes marciais, que no judô é um método especial de estudo para transmitir suas técnicas, seu espírito e a sua finalidade.

Segundo o criador do judô, sensei Jigoro Kano, o kata é a estética dessa arte e é o que permite compreender todo seu alcance. Isso significa que está intrinsicamente ligado com o treinamento mais profundo do judô. É no kata que o atleta demonstra conjuntos de técnicas fundamentais já determinadas, praticando em dupla, na qual um é o atacante (uke) e o outro é o defensor (tori).

No judô existem oito katas que são reconhecidos oficialmente e estão divididos de acordo com as habilidades a serem executadas: técnicas de projeção, domínio no solo, técnicas de defesas pessoais e técnicas baseadas nos elementos da natureza. Nos campeonatos de kata, os atletas são avaliados de acordo com fatores como perfeição, eficácia e harmonia por um time de 3 a 5 árbitros.

Nossos parabéns ao professor-atleta e campeão pan-americano!

Saiba um pouco sobre ele nessa breve entrevista feita para o site.

Fale-nos sobre você…

Tenho 31 anos sou casado e estou à espera de uma filha! Pratico judô desde os cinco anos, tendo iniciado meu treinamento dentro da escola. Sou formado em História e Filosofia, mas passei a trabalhar como professor de judô após um convite do sensei Roberto Katchborian para lecionar para crianças em escolas. Assim minha área de formação se tornou um hobbie e o judô, que era uma paixão na minha vida, tornou-se meu trabalho!

Fui praticante de kendo/Iaido por cerca de 15 anos, alcançando o título de Shodan-Ho em Shinto-Ryu. Sou praticante também de caratê, estilo Goju-Ryu há 8 anos. Iniciei meu trabalho no Pioneiro como auxiliar do professor Roberto em 2008 e desde 2015 passei a professor de turma.

Qual a sua trajetória como atleta?

Iniciei nas competições de Kata em 2010, quando passei a treinar junto com um amigo no Centro de Aperfeiçoamento Técnico da Federação Paulista de Judô. Lá existe um treino voltado exclusivamente ao kata, tanto para estudo, quanto o competitivo. Desde então, passamos a participar do circuito paulista de competições, como Copa São Paulo e o Campeonato Paulista. Alcançamos resultados expressivos e partimos para a disputa de campeonatos de maior importância, como o Brasileiro, o Sul-Americano e Copa Pan Americana, chegando em 2014 a conseguir uma vaga na equipe principal brasileira para disputar o Campeonato Mundial. Esse ano conseguimos a vaga para disputar pela primeira vez o Campeonato Pan-Americano oficial da Federação Internacional de Judô, o que nos permitiu essa grande conquista.

O que o campeonato pan-americano representou para você?

Apesar de já ter participado de outros campeonatos internacionais, apenas o Mundial tinha a chancela da FIJ, e não consegui me classificar. Os outros campeonatos que disputei foram amistosos oficiais somente com apenas a chancela da Confederação Pan-americana de Judô. Então esse campeonato pan-americano teve um sabor diferente, pois foi uma grande oportunidade de representar o meu país em um evento de altíssima importância e com grandes chances de medalhar.

Fui preparado, confiante e tive um apoio de pais, alunos, amigos e familiares que nunca tinha tido antes. Acho que isso fez toda diferença, um incentivo para trazer para casa a medalha dourada!

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E qual a sensação?

Quando vi o resultado, mal acreditei. Subir ao pódio e levar a bandeira do meu país ao lugar mais alto com o hino sendo entoado foi uma das sensações mais emocionantes que já vivi dentro do judô. Demorei um bom tempo até a “ficha cair” e eu perceber o que havia conseguido!

Mensagem para os alunos?

Nunca desistam de um sonho. Todo esforço para alcançar o que se deseja é recompensado no final. Meu trajeto pelas artes marciais nunca foi fácil e nem sempre fui o melhor no que fazia. Sempre tive muita dificuldade durante os treinos. Não era o mais alto, não era o mais forte e muito menos o mais técnico. Mas posso dizer que sempre fui um dos mais perseverantes.

Portanto não se entregue, nunca desista. A vontade e a persistência, somadas à paciência e a uma boa orientação, superam as dificuldades cotidianas. Meu sensei me disse uma vez: “caiu sete vezes, levante oito”. Não será fácil, mas posso garantir que vai valer a pena…

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