A Semana da Consciência Negra, mais do que um novo feriado, tem sido uma oportunidade para a sociedade refletir sobre as questões da diversidade étnica, tão presentes no dia a dia do mundo atual. Conflitos pessoais, guerras entre nações e outras consequências de culturas da intolerância tomam conta da mídia e das conversas nas redes sociais – a que crianças e jovens têm acesso diretamente. E, por isso, são temas para os quais devem estar preparados a refletir e compreender.

O Pioneiro vem aprimorando, a cada ano, o trabalho de formação cidadã de seus alunos, aproveitando, entre outras oportunidades, a Semana da Consciência Negra. Em 2016, houve apresentação de filmes e uma roda de conversa com um diretor da Fundação Casa, para debater o tema do negro em situação carcerária. Este ano, as atividades aumentaram. “Agora a data faz parte do calendário oficial da escola e mais educadores se integraram à organização, em busca de oferecermos conteúdos de qualidade e abrirmos espaço para nossos alunos exercitarem o pensamento crítico”, diz Mário Fioranelli, coordenador da área de Ciências Humanas.

Confira, nesta entrevista, como o PIO prepara o seu filho para esse debate da maior atualidade para a vida social e também de grande importância nos vestibulares.

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Como a escola entende a questão da formação para a Consciência Negra?

Fioranelli – O tema do negro é abordado nas discussões que ocorrem com os estudantes, mas, cada vez mais, é um pano de fundo que permite abrir possibilidades para pensarmos sobre várias outras questões sociais. Este ano de 2017, por exemplo, nosso foco será a mulher negra e os refugiados. Assim, junto com a temática racial, nós estudamos também as condições da mulher na sociedade e o problema dos refugiados.

De que modo os professores se preparam para conduzir essas questões com os alunos?

Fioranelli – Os professores da área de humanidades elaboraram no começo do ano todo o projeto da Consciência Negra de 2017 e iniciaram com uma capacitação prévia de vários grupos, por meio de formações focadas nas dinâmicas a serem trabalhadas com as turmas, rodas de conversa. Os educadores são provocados pelos coordenadores de cada segmento a criar formas de trazer o assunto para o processo de aprendizagem, desde o Infantil até no ensino Médio.

As crianças do Infantil também aprendem sobre o tema da diversidade?

Fioranelli – Sim! Naturalmente, dentro do universo de compreensão delas, aproveitando os recursos lúdicos dessa faixa etária. Este ano, por exemplo, o livro “As heroínas negras do Brasil”, que conta histórias em cordel de 15 mulheres negras brasileiras, foi utilizado na formação dos professores. A partir dessa leitura, outros títulos foram selecionados, sobre a temática, e as professoras vão ler as histórias para eles, estimulá-los a contar com suas palavras o que entenderam, propor atividades que os ajudem a absorver conceitos que mais tarde vão aprofundar.

E nas demais séries, quais as metodologias usadas para abordar esses temas?

Fioranelli – Durante todo o ano, nós promovemos momentos de reflexão, com o intuito de estimular os alunos a serem os protagonistas da construção de seu conhecimento. Algumas sextas-feiras à tarde, nos horários dos plantões, no contraturno escolar, temos feito algo especial, como uma exibição de filme, um debate sobre um tema que possa ser objeto de redação no vestibular. A participação é voluntária. E, para nossa satisfação, muito significativa – já chegamos a ter 50% de presença das turmas do Médio.

Qual a programação deste ano sobre a questão da diversidade?

Fioranelli – Para o Pioneiro, o dia 20 de novembro, ou a Semana da Consciência Negra, tornaram-se apenas marcos de um programa maior. Vamos além de uma data e estamos, a cada ano, ampliando a atuação. Por exemplo, para o Fundamental II e para o Médio, no final de outubro já começou uma programação que vai se estender até o inicio de dezembro. Houve um primeiro debate, sobre o tema da cultura e das raízes da violência contra a mulher. No dia 28 de novembro, em parceria com a Adus – Instituto de Integração de Refugiados, haverá uma conversa com refugiados, atividade aberta também para os pais. No dia 1º de dezembro, haverá uma oficina com refugiados, para o Médio. Nessa oficina, eles vão aprender sobre a cultura, a música, a gastronomia de outros países.

Que benefícios a escola visa agregar à aprendizagem dos alunos com essas atividades?

Fioranelli – São muitos os ganhos de propiciar a nossas crianças e jovens o contato com novos horizontes, novas formas de existir e atuar no mundo. Eles têm a oportunidade, ao se debruçar sobre realidades distintas das realidades em que vivem, de ampliar seu repertório social e cultural. Esse contato direto e profundo com outras visões de mundo enriquece a percepção do respeito ao outro, fortalece a tolerância e também desperta neles a curiosidade para ir além, pesquisar mais e aprender mais.