Por Renato Luginick – Professor de História

Padre Chico 3O primeiro ano do ensino médio teve a oportunidade de se aproximar de um universo que certamente desconheciam: a escola e a vida dos deficientes visuais.

Trabalhamos nas aulas o tema da cegueira, tanto em sua forma física, como filosoficamente.

Língua Portuguesa trouxe a contribuição da reflexão escrita e da presença da cegueira na literatura: Édipo Rei, clássico grego, mostra Édipo que cego para a verdade, tira a própria visão como autopunição.

Educação Física mostrou de forma prática a implicação da cegueira no esporte, com muitas adaptações, possibilidades e trombadas. Tecnologia Educacional ajudou na comunicação: “quem não se comunica se estrumbica” dizia o velho Chacrinha, através de videoconferência conversamos e nos aproximamos dos alunos do Instituto de Cegos Padre Chico. Enquanto isso, em História e Sociologia, observamos admirados as novas velhas máximas: a diversidade faz a gente aprender demais! Conhecemos-nos, conhecendo os outros! Alteridade, identidade, inclusão, exclusão, cultura, tolerância. Tudo junto e misturado.

E fomos além: qual o sentido da vida? Quantas questões!

Não precisa de resposta não, professor. O sentido mora dentro da vida, no próprio sentido! Tem coisa que é difícil demais, precisa de tempo, respondeu o aluno. É mesmo!

E o tempo, o que faz da gente quando procuramos o tal sentido? Acho que mostra, sensivelmente, sem precisar ver, que gente precisa de gente pra viver.

Padre-Chico-goalball

Goalball vendados

Daí fomos lá, caminhada, metro cheio, mais caminhada e logo na entrada sentimos algo diferente, tinha uma paz, uma natureza que queria se mostrar ali naquele lugar.

Direto para quadra, apresentações, afetos e abraços! Como velhos conhecidos nos cumprimentamos e fomos ao jogo: goalball vendados, depois futebol de cinco e muita conversa na mureta da quadra, enquanto isso, lembrei daquele tal sentido da vida e senti ele ali, entre os alunos.

Padre-Chico

Lanche coletivo, passeio no jardim dos sentidos e voltamos admirados: aquela natureza diferente, que queria se mostrar lá dentro, apareceu no pensamento: naqueles momentos quem enxerga só com os olhos era o deficiente! Logo ali, o diferente era a gente.

Em breve, voltaremos.