Empreendizagem: aprender a empreender, um projeto que pilhou os alunos de 4ºs anos a criar uma empresa para comercializar os produtos derivados da composteira!

O clima na quadra esportiva da escola na noite do dia 21 de novembro era o mesmo de uma sessão de pitch nas incubadoras de startups, a animação era total!

Os meninos e as meninas se revezaram nas apresentações, cada um falando sua parte, sem se intimidar diante da plateia de cerca de 300 pais e amigos. Também não titubearam ao responder às dúvidas da banca composta por empreendedores, mentores, profissionais de marketing que assistiu atenta às cinco apresentações das turmas de 4ºs anos do Centro Educacional Pioneiro.

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O grande desafio era inovar o produto tendo em vista que todas as salas construíram as mesmas composteiras nas aulas de Ciências, e consequentemente os produtos gerados (chorume e húmus) eram bastante similares. Os alunos de cada turma apresentaram o processo de criação e um diferencial marcante de seus produtos por meio de slides, poema, vídeo, falas coletivas e individuais.

Coube a banca de convidados escutar e elaborar questões que foram prontamente respondidas de forma irreverente, espontânea e despojada. Típico dessa idade.

E não se melindraram de contar sobre alguns imprevistos… e, como foram resolvidos. Por exemplo, um problema recorrente em todas as turmas foi a morte das minhocas! “A gente aprendeu que não pode colocar casca de frutas ácidas na composteira. E precisa ter bastante ar!”

Organizados em quatro departamentos: financeiro, propaganda cliente, propaganda- comunicação e inovação do produto os pequenos empreendedores saíram a campo para realizar pesquisa de mercado, avaliar a concorrência.

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Para compor os preços tiveram que aprender a construir planilhas elencando todos os materiais já utilizados e outros necessários para a embalagem e impressão dos folders, panfletos ou flyers. Listaram tudo e calcularam o custo unitário dos kits e decidiram a margem de lucro desejada para compor o valor de venda do produto.

A equipe de marketing estudou e desenvolveu o nome da empresa e dos produtos e tiveram que decidir por votação qual seria a escolhida pois em todas as turmas haviam muitas ideias. Também foi tarefa da meninada pensar, desenhar e executar a logomarca, slogan e a embalagem.

Marcia Nobue Sacay, coordenadora de Ciências do Pioneiro, contou que o projeto teve a ajuda de parcerias importantes na escola. Além da forte integração entre as professoras dos 4ºs anos, colaboraram para os trabalhos a equipe de Tecnologia Educacional, o gestor de Marketing e o diretor Financeiro.

A professora Marcília Kawata confessou que, a princípio, ficou muito preocupada em como iria ajudar a formar todos os departamentos de sua turma, mas, com o apoio dos parceiros da escola, logo surgiu um espírito de muita colaboração e envolvimento: “A gente aprendeu junto”, disse. Organizar a turma também foi um desafio para a professora Ana Paula Netto Lopes, que ressaltou o esforço dos alunos em trabalhar separados, mas com um objetivo comum.

Para a professora Rosália Motta, a morte das minhocas foi um momento importante, de aprender a lidar com os obstáculos: “Pensei que eles iriam desanimar, pensei em como iria manter acesa a chama do gosto pelo trabalho. Mas eles entenderam o problema, foram atrás de soluções e acabaram se interessando ainda mais pelo projeto!”.

A oportunidade de atuar em diferentes áreas de uma empresa revelou aptidões que as crianças ainda não conheciam. “Eu gostei mais é de treinar para falar em público, apresentar nossa ideia”, ressaltou Gabriela Ono Wang. “E eu gostei de pesar o produto e arrumar na embalagem”, acrescentou Guilherme Primavera Balestrin. Diante da pergunta de um integrante da banca sobre o que iriam fazer com “o dinheiro ganho na venda dos produtos”, respondeu um aluno com firmeza: “Reinvestir no nosso negócio”. E ganhou muitos aplausos da plateia.

A família de Helena Yshimine Maria ficou encantada: “Nunca pensei que uma criança de 9 anos fosse capaz de assimilar tantos conceitos, e um processo tão complexo em sua totalidade, como o funcionamento de uma empresa”, disse o pai da aluna. A professora Thaís Leonardi confirmou que a tarefa não era simples: “Eles tiveram que ir atrás das informações na rua, fazer pesquisas, procurar produtos similares, ver preços, comparar”. E a professora Sonia Ue Reigado ressaltou que toda a criação do flyer de divulgação, slogan da marca, surgiu de muita conversa e negociação entre eles, na sala de aula.

Este projeto será apresentado pelas professoras do Centro Educacional Pioneiro na Conferência Internacional de PBL (Problem Based Learning) em fevereiro de 2018, na Universidade de Santa Clara, Califórnia (EUA), com o título de A construction of worm compost  turned in an Entrepreneurship experience.

Nessa oportunidade, iremos divulgar e compartilhar experiências e desafios com pesquisadores do mundo todo para refletir sobre a contribuição das Metodologias Ativas de Aprendizagem nos processos de ensino e aprendizagem.

Conheça os projetos aqui!

Flyer Empreendedorismo 8x21cm