Da reunião de um grupo de cores com diferentes matizes forma-se um quadro pela mão de um artista com seus pincéis. Assim é o trabalho coletivo desenvolvido no Ensino Médio, quando alunos e professores de diversas disciplinas e de diferentes formações culturais formam um único quadro.

trabalho-coletivoO trabalho coletivo é um processo de ensino e de aprendizagem que reúne alunos e professores na busca de desvelamento do mundo. Nesse processo de produção de conhecimento, fundem-se a proposta, o currículo e os saberes de cada um pelo método interdisciplinar, tendo como foco o estudo da vida na cidade e o nosso lugar no mundo. São trabalhos que se pautam pela escolha coletiva de um objetivo específico para cada produção.

O primeiro trabalho, ainda no 1º ano, é a atividade de recepção aos novos alunos do Ensino Médio. Eles assistem a um filme que aborda a temática da integração e depois discutem o assunto e produzem uma colagem expressando a discussão. Acontece ainda um encontro dos recém-chegados com os alunos do 2º ano, no qual o 2º ano apresenta os professores, falando um pouco sobre cada um, os processos e os trabalhos que virão pela frente.

Obviamente essa integração não se dá por mágica. Leva pelo menos uns seis meses para o aluno entender todo o processo e mais uns meses para comprar a ideia. E paralelamente vão absorvendo o específico das disciplinas como subsídio para os próximos trabalhos coletivos.

O segundo trabalho é sobre medidas, fundamental em todas as áreas do conhecimento. Além de aprenderem as normas e os instrumentos de medição, os alunos desenvolvem a habilidade de intuir, de ver, de perceber e de criar para realizar as medidas. São dois trabalhos de naturezas diferentes: o Censo (que trabalha com a estatística) e o Desafio (que trabalha com estimativa).

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Ocorrem também saídas para o Estudo do Meio, um trabalho coletivo no qual os alunos vão buscar conhecimento além dos muros da escola. Para desenvolver o tema “Como a cidade se organiza para viver”, visitam a região central da cidade, a zona leste e também um outro município para efeito de comparação. Eles assumem funções como as de repórter, fotógrafo, design gráfico e redator chefe, entre outras. É assim que revelam suas habilidades e o resultado dessas experiências é apresentado em forma de um diário de bordo, um catálogo e uma revista.

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No 2º ano o tema é “Como o homem se organiza para viver”. No primeiro trimestre os alunos são desafiados a escrever uma hipótese conceitual sobre um tema dado, como exemplos “O que é natureza?” ou “Por que o homem precisa de água para viver?”.

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Em seguida desenvolvem uma pesquisa sobre o tema e preparam seminário para os professores e colegas das outras turmas do Ensino Médio, com debate no final sobre a qualidade da apresentação e a profundidade do conteúdo abordado. Finalmente eles sintetizam a pesquisa em forma de uma imagem, o que chamamos de Ensaio Imagético.

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Como último trabalho coletivo, os alunos do 2º ano partem em uma viagem de Estudo do Meio, na qual recolhem registros sobre a paisagem, as pessoas e seus modos de vida e as técnicas usadas no cotidiano local. Após retornarem, escrevem um conto coletivo com elementos da cidade visitada e também das pesquisas feitas no primeiro trimestre, obedecendo a um tipo textual que varia de ano a ano.

No 3º ano, praticamente com um pé fora da escola, bate aquele sentimento de que algo vai ficar para traz e vai se perder e algo novo e desconhecido se anuncia. É o momento para refletir sobre o passado e o futuro e os alunos são convidados a responder “O que eu levo da escola e o que deixo para a escola?”. Nesse trabalho final, os alunos constroem uma obra de arte e apresentam para a comunidade escolar, em forma de uma instalação.

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Por fim uma atividade que já não faz parte dos trabalhos coletivos, mas da qual todos os alunos participam: na véspera da festa de formatura, eles produzem um grafite, deixando suas marcas no muro da escola que representou boa parte da vida de cada um deles.

Acácio Arouche – Professor de Artes