Na semana de 19 a 23 de setembro promovemos vários eventos em comemoração ao Dia da Escola. O primeiro deles foi um marcante encontro no qual os alunos do Ensino Médio e também alguns das turmas de 8° e 9° anos do Ensino Fundamental se reuniram na quadra coberta para ouvir os emocionantes relatos de convidados muito especiais: Junko Watanabe, Kunihiko Bonkohara e Takashi Morita, sobreviventes da tragédia de Hiroshima na Segunda Guerra Mundial.

Os três imigrantes japoneses vieram compartilhar suas histórias de vidas, uma conversa que gerou uma reflexões sobre temas como as guerras, as relações sobre as nações e a energia nuclear e seus perigos. Sem dúvida uma experiência enriquecedora para todos.

Kunihiko Bonkohara, Takashi Morita e Junko Watanabe

Kunihiko Bonkohara, Takashi Morita e Junko Watanabe

“De autoria desconhecida, esta frase famosa tem percorrido os séculos dizendo que “só os mortos conhecem o fim da guerra”. Se verdadeira esta afirmação, estamos diante de um impasse: a guerra se resumiria apenas ao conflito direto, o campo de batalha, a ordem dada ao soldado e o cumprimento da missão.

Mas como lidar com a memória daqueles que passaram por tempos turbulentos; a memória da guerra neste caso é contínua, e passado tanto tempo ela fica lá, no recôndito, escondidinha; falar dela seria como se libertar destes fantasmas.

Foi o que tivemos no dia 19 de setembro de 2016: um emocionante relato de três sobreviventes da manhã de 6 de agosto de 1945, cada qual abrindo seu baú de memórias e compartilhando com os alunos do Centro Educacional Pioneiro suas experiências e sensações. Mais do que um relato, as palavras da senhora Junko Watanabe (umas das sobreviventes) foram certeiras ao dizer que o mais importante é “tocar o coração” de quem escuta. Quando a voz do outro consegue ir de cheio nos colocamos em seu lugar. Sentimos, choramos, experimentamos sensações, como que por um instante estivéssemos em Hiroshima.

No final, os palestrantes passaram para os alunos, professores e funcionários um abaixo assinado pedindo a extinção das armas nucleares”

Michael Luiz dos Santos – Professor de História

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Vamos conhecê-los?

Takashi Morita está com 92 anos e na época era um policial militar de 21 anos. Contou como ajudou a salvar algumas pessoas, como ficou a região após a explosão da bomba e nos meses seguintes. Veio para o Brasil em 1956 por acreditar que era um país bom para se viver e revela feliz que aqui encontrou um paraíso.

Takashi Morita

Takashi Morita

Kunihiko Bonkohara tinha 5 anos quando a cidade foi atacada. Era o caçula da família e no dia estava com o pai no trabalho. Ambos sobreviveram, mas ficaram muito feridos. A mãe e os irmãos infelizmente faleceram. Teve muitas sequelas e pensava que morreria jovem. Por isso queria partir em busca de um lugar novo para viver e o Brasil era a opção. Chegou em 1961, no porto de Santos e foi para o norte do Paraná.

Kunihiko Bonkohara

Kunihiko Bonkohara

Junko Watanabe não se lembra do dia da tragédia. Tinha apenas 2 anos e brincava com os irmãos, todos pequenos. Moravam a cerca de 18 quilômetros da cidade. Em 1967, em busca de novas experiências de vida veio para o Brasil. Só depois de adulta descobriu que era uma sobrevivente da bomba.

Junko Watanabe

Junko Watanabe

Mais que histórias emocionantes, eles representam exemplos de luta pela paz e pela preservação da natureza. Um notável trabalho de conscientização!

Confiram abaixo o registro fotográfico de  alguns momentos do encontro, que aconteceu na manhã do dia 19 de setembro:

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Vejam como foi a semana do Dia da Escola aqui.