Por Débora Sebriam
Tecnologia Educacional

dialogoHá muita desinformação circulando sobre o “jogo macabro” que está se disseminando entre crianças e jovens de todo o mundo – e chegou ao Brasil. Além disso, as redes sociais têm favorecido a amplificação do fenômeno, gerando preocupação e insegurança entre pais e educadores.

O que temos de concreto, até agora, é que o jogo Baleia Azul, ou Blue Whale, é um jogo virtual, realizado pela internet, e moderado por um administrador que lança 50 desafios e cuja principal missão é incentivar os jogadores à automutilação, a frequentar locais perigosos de madrugada (como telhados de edifícios, trilhos de trem e guinchos), culminando, no ato final, com a orientação à prática do suicídio.

Tão grave quanto a natureza dos desafios, é o fato de que os administradores desses grupos pressionam e ameaçam as crianças e adolescentes que querem desistir do jogo, uma vez que coletam dados das redes sociais das vítimas.

Segundo o presidente da ONG SaferNet, Thiago Tavares, o jogo começou como uma fake news (notícia falsa), divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia, que se espalhou a partir de 2015. “Mas houve um efeito: sendo verdadeira ou não, a notícia gerou um contágio, principalmente entre os jovens. O jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir”, disse ele, em entrevista ao site G1.

Ainda de acordo com a SaferNet, organização que atua na defesa dos direitos humanos na internet, a repercussão dessa notícia falsa, em tom alarmista, pelo telejornal de uma grande emissora na TV aberta, fez com que aumentassem em mais de 1.000% as buscas no Google pelo suposto jogo. Em um claro erro de abordagem, a matéria mostrou com detalhes e de forma “didática” como se engajar nessas comunidades e quais eram os desafios para chegar até o final do “game”.

A polícia já está atuando nesse crime. Há investigações em andamento em pelo menos quatro estados brasileiros: Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro. A prefeitura de Curitiba (PR) emitiu um alerta após a identificação de ao menos cinco tentativas de suicídio envolvendo adolescentes entre 13 e 17 anos na cidade, na última terça-feira, dia 18.

Assim, cabe a todos nós ficarmos atentos e lidar com o tema orientando nossos filhos e estudantes. Confira, a seguir, o que os pais e responsáveis podem fazer.

Como identificar o problema e o que fazer

  1. Leia a respeito e informe o seu filho sobre a existência do jogo e sobre seus perigos. Devido à grande repercussão, é provável que, mesmo que seu filho não faça parte de redes sociais, ele ouça falar sobre o jogo.
  2. Fique atento a mudanças de conduta: isolamento, tristeza, comportamento depressivo ou uso de roupas inadequadas para a estação, cobrindo partes do corpo.
  3. Nem sempre crianças e adolescentes conseguem discernir uma situação ou conteúdo a que são expostos. Portanto, é essencial que na sua casa haja espaço para diálogo, sem repressão ou julgamentos. A criança ou o adolescente precisa sentir segurança para se abrir.
  4. Encoraje o adolescente a buscar ajuda, ele precisa entender que, caso já esteja participando do jogo, as pessoas que o ameaçam não passam de manipuladores e devem ser denunciadas às autoridades.
  5. Lembre-se de que, na vida, o equilíbrio é essencial! Faça combinados com seu filho sobre o tempo de uso e acesso à internet e dispositivos móveis, televisão, videogame.
  6. Proibir o acesso à internet, a dispositivos móveis ou monitorar seus filhos com programas espiões são medidas pouco educativas e fadadas ao fracasso. Além de não prevenir os riscos, comprometem o vínculo de confiança que deve existir entre pais e filhos.
  7. É parte importante da preparação para a vida adulta que o jovem desenvolva habilidades para lidar com os riscos à sua volta, e isso só ocorre com orientação e participação constante dos pais e da escola, estabelecendo uma relação de confiança.
  8. A Safer|Net oferece um serviço gratuito de escuta, acolhimento e orientação especializada destinado a crianças, adolescentes, pais e responsáveis que estejam vivenciando alguma situação de risco ou violência online. Uma equipe de psicólogos está disponível das 14h às 18h,via chat ou por e-mail: www.canaldeajuda.org.br

O suicídio nas telas dos adolescentes

O seriado “13 Reasons Why” (em tradução livre, os 13 porquês), exibido pelo Netflix, conta a história de uma garota que, após sofrer uma série de agressões físicas e psicológicas por colegas de escola, deixa fitas cassetes explicando as razões que a levaram a cometer suicídio.

A produção do seriado é da cantora Selena Gomez, extremamente conhecida por crianças e adolescentes. A série ganhou grande repercussão devido ao seu tema central, o bullying e o suicídio, e também devido às cenas de suicídio e de estupro terem sido retratadas explicitamente.

Desde o lançamento da série, a busca por ajuda subiu 445% no Centro de Valorização da Vida.

Recomendações importantes para pais e responsáveis

  1. 13 Reasons Why tem classificação indicativa de 16 anos. Caso seu filho demonstre o desejo de assisti-la é essencial que você o acompanhe.
  2. Temas como bullying, estupro e suicídio são duros, e por vezes, pouco discutidos em nossa sociedade. Converse com seu filho sobre as generalizações da série, quais outras alternativas teria a personagem, como seu filho pode ajudar um amigo da escola que sofre bullying.
  3. Lembre-se: a depressão é uma doença tratável e que necessita de acompanhamento especializado.
  4. O diálogo e a confiança são os pilares de uma boa relação familiar.
  5. O CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias. Acesse: http://www.cvv.org.br/

Referências

Jogo da ‘Baleia Azul’ e seus desafios: cinco dicas para a prevenção de pais e alunos. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/jogo-da-baleia-azul-e-seus-desafios-cinco-dicas-para-prevencao-de-pais-e-alunos.ghtml>. Acesso em: 20 abr. 2017.

Recomendações da Safernet para a imprensa e alerta aos pais. Disponível em: <https://www.facebook.com/SafernetBR/posts/1317178101663414>. Acesso em: 20 abr. 2017.

13 Reasons Why: o sofrimento de Hannah Baker. Disponível em: <http://cvv141.blogspot.com.br/2017/04/13-reasons-why-o-sofrimento-de-hannah.html>. Acesso em: 23 abr. 2017.

Busca por centro de prevenção ao suicídio cresce 445% após série. Disponível em: <http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,busca-por-centro-de-prevencao-ao-suicidio-cresce-445-apos-serie-da-netflix,70001734246>. Acesso em: 20 abr. 2017.