Um tema que de tempos em tempos toma conta da mídia, o bullying é um desafio permanente aos educadores. É na escola, ou, entre as relações escolares, que surge a maior parte desses comportamentos que nem sempre chegam a extremos, mas que geram sofrimento e podem interferir no desempenho de crianças e jovens

No Pioneiro, o bullying e o cyberbullying são objetos de atenção de todos os educadores, que são preparados para lidar, de forma lúcida e pontual, com as situações que ocorrem no cotidiano escolar. Sob a orientação de atuar preventivamente, educadores lançam mão de recursos pedagógicos para evitar ou lidar com o problema, quando surge um caso entre os alunos.

Confira, nesta entrevista com Cátia Hashimoto, coordenadora do ensino Fundamental I, o que a escola pensa e como atua em relação a esse tema, que deve ser encarado com transparência e muito diálogo.

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Sabemos que, onde há relações humanas, há conflitos; e onde há conflitos, pode haver bullying. Na escola, onde as relações humanas são latentes, infelizmente podemos observar atitudes que se enquadram nesse perfil, mas é importante diferenciarmos um desentendimento comum de uma ação que se caracterize como bullying. Como você faria essa distinção? 
Cátia – É importante pontuar, antes de mais nada, que o bullying é uma agressão sistemática e com características próprias. Isto é, não é qualquer empurrão, na hora do lanche, que se caracteriza como bullying. É a prática de atos violentos, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa.

Qual a conduta, nesses casos?
Cátia – A orientação, em qualquer caso de conflito, é a apuração e o diálogo. Primeiro, a gente verifica as informações, checa os dados, conversa com os envolvidos. Dependendo do caso, chamamos a família para participar do processo. Sempre cuidando para trabalhar a conscientização, retomando as regras combinadas. Além disso, investimos em um acompanhamento sistemático dos envolvidos. Agimos para que percebam que estamos atentos e abertos a ouvir. Fazemos isso a partir dos combinados feitos com os alunos, com as famílias e a partir do regulamento da escola. É importante que todos saibam o quanto apreciamos as atitudes de tolerância e respeito, pois essas são premissas essenciais no ambiente da escola.

Em que medida as regras ajudam na prevenção de atos agressivos?
Cátia – No início do ano, nós construímos, coletivamente, as regras de convivência. São combinados que se repetem, mas fazemos questão de que, a cada ano, os alunos pensem sobre o que querem estabelecer como regra. Quando as regras surgem deles, se comprometem com o que acham justo. Então, nós debatemos: o que pode ser feito e o que não pode? E se acontecer o que não pode, o que deve ser feito?

Os educadores recebem formação para identificar e lidar com situações de bullying?
Cátia – Sim, não só os educadores. Toda a comunidade escolar. Promovemos palestras com especialistas para professores, para alunos e para pais. O psicólogo David Sérgio Hornblas faz palestras só sobre bullying, dentro de um projeto do Pioneiro que se iniciou em 2011, preparando professores e demais funcionários para observar as relações entre os alunos, para notar que alguém está isolado, que alguém está incomodando o outro… E, naturalmente, para intervir. Para os alunos, essas palestras estão sendo feitas a partir do 3º ano do Fundamental I. Nos 4ºs e 5ºs anos, também temos a palestra com a coordenadora Débora Sebriam, abordando especificamente o cyberbullying.

Como se dá essa intervenção?
Cátia – Sempre o mais indicado é uma abordagem educativa. Nunca apontar o dedo, acusar, reprimir. Temos que abrir o diálogo com os envolvidos, se necessário colocá-los juntos, fazer com que avaliem suas atitudes e concluam se erraram. Vamos até além. Muitas vezes, perguntamos o que o aluno acha que dever ser feito diante da atitude que ele teve, perguntamos se quer um tempo para ele próprio comunicar sua atitude aos pais ou se somente nós comunicaremos… são atitudes construtivas, que levam o aluno a compreender a extensão e a responsabilidade que tem sobre seus atos.

 E com os alunos, qual é o trabalho, na prática?
Cátia – Começa no início do ano, quando todos são sensibilizados a ajudar na integração dos novos alunos, ou, dos novos colegas de turma – pois nós procuramos, propositalmente, para efeito de socialização, alternar os grupos nas classes. Também quando a professora percebe, por exemplo, um aluno isolado das brincadeiras do recreio, ela incentiva uma das crianças que são consideradas “lideranças positivas” a chamar esse amigo para o grupo. Ou ela mesma cria uma brincadeira da qual participa e envolve a criança mais tímida. E essas mesmas dinâmicas de integração são aplicadas com as famílias, nas festas e nas atividades da comunidade escolar. O Pioneiro acredita que a melhor forma de evitar que aconteçam situações mais graves, como o bullying – é dando exemplos de solidariedade, ensinando a criança a olhar para o outro e respeitá-lo.