Alunos do Fundamental e do Médio põem à prova a cultura do ódio e a intolerância em debate sobre as manifestações culturais e suas relações com a sociedade.

Funk-01Um tema polêmico está ganhando espaço na mídia e, principalmente, nas conversas entre os jovens: a possível criminalização do funk. Uma proposta de projeto de lei nesse sentido tramita no Senado Federal. A novela da noite mostra cenas de bailes na periferia, onde traficantes exibem armas como símbolo de poder. Apologia ao crime? Cultura popular? Preconceito? O que pensamos a esse respeito?

Os alunos do Centro Educacional Pioneiro toparam o desafio da escola e dedicaram seu tempo para refletir, trocar argumentos e formar opinião sobre essa e outras questões ligadas a manifestações culturais e suas relações com a sociedade. No dia 11 de agosto, uma sexta-feira, no horário do plantão de dúvidas, os jovens passaram duas horas conversando sobre o que representa o funk. A participação, bastante representativa, foi voluntária e não valia nota. Sinal de que estavam, sim, muito interessados no papo!

Apesar das opiniões divergentes, realizaram um debate de alto nível e com qualidade de conteúdos: “Eles foram absolutamente respeitosos, uns com os outros, cuidadosos para defender seus pontos de vista sem ofender o interlocutor”, conta o professor Renato Luginick, que participou da atividade.

Os próprios alunos, do 9º ano do Fundamental e do Ensino Médio, desenvolveram a essência do debate e os educadores que mediaram a discussão tiveram um papel pontual. Conceitos importantes sugiram na discussão: banalização do sexo, desigualdade social e de gênero, relação da periferia versus centro, teoria musical, relatividade de hábitos, preconceito, discriminação, ideologia, papel do Estado, liberdade de expressão, comportamento, cultura, entre outros. “Fiquei especialmente contente com a participação do 9º ano, que chegou de mansinho e botou lenha na fogueira. Foi gratificante ver jovens de 14 e 15 anos discutindo em igualdade com outros de 17″, diz o professor.

Estimular os alunos a se interessar por aspectos da vida econômica e política do país é uma prática do Pioneiro. Os jovens já participaram de outros momentos como esse, abordando as reformas da Previdência e Trabalhista, o projeto de lei Escola Sem Partido. A escola acredita que, para a formação dos alunos, é importante estimulá-los a expressar suas ideias, pois a argumentação possibilita a ampliação do aprendizado tanto por meio da fala quando da escuta. “No debate, eles têm de refletir sobre começo, meio e fim de uma fala, articular a linguagem, justificar, comparar, julgar, conceituar, lembrar, atentar, discutir, ouvir e finalmente aceitar ou não a diversidade. Creio que traduzir o pensamento em expressão oral é por si só um exercício de grande valor emocional e intelectual”, avalia Luginick.