Estudantes, familiares e a equipe pedagógica fecham um ciclo de trabalho marcado pela dedicação dos alunos, apoio de pais e professores e organização da escola

rolima4 2017Neste último sábado, dia 6, os alunos do 8º ano do Centro Educacional Pioneiro colocaram para rodar um brinquedo produzido por eles nas aulas de educação física: carrinhos de rolimã. A competição entre equipes aconteceu em uma rua próxima à escola e foi pra lá de divertida: teve carrinho de embalou bonito até a linha de chegada, outros que perderam a rodinha e o freio pelo caminho, desníveis que testaram a habilidade dos pilotos no asfalto, mas, sobretudo, um só time de adolescentes engajados em uma conquista compartilhada por todos eles.

A equipe Flashinho, composta de oito meninas, levou a melhor. A adolescente Bruna Guerra, de 12 anos, conduziu o veículo na grande final. “Foi muito trabalho até chegar aqui. Tivemos de modificar a altura do eixo de trás, testar apenas na quadra, mas conseguimos”, disse Bruna, com o troféu nas mãos. Sua equipe dividiu o asfalto com outros oito carrinhos, batizados pelos alunos de Galáxia, Steve Pizza, Milk Way, Cinco Estrelas, Donnuts, Over Pimba, Splish Splash e Messi.

Foi desafiador construir um veículo artesanal de madeira, acoplar três ou quatro rolamentos, um eixo móvel na frente e um freio manual atrás. Durante três meses os adolescentes bateram prego, apertaram parafusos, manusearam furadeira e até serra tico tico. E agora puderam testar, na prática, o que deu certo e o que poderia ter sido melhorado. “A dedicação resultou em uma atividade impecável: organizada, envolvente e que revela o cuidado de todos em cada detalhe”, informou Irma Akamine Hiray”, diretora da escola.

O sucesso da experiência só foi possível porque os professores encamparam uma proposta de trabalho interdisciplinar ousada, que engajou os estudantes do início ao fim. Foram dias de muito trabalho, com mais erros do que acertos, com furos e mais furos na madeira para posicionar a rodinha aqui e acolá. “Eles testaram, repensaram a estratégia e saíram em busca de soluções para os problemas que encontraram”, relata a professora Marcia Sacay, coordenadora de Ciências e Inovadoria da escola, que acompanhou o projeto.

Os trabalhos começaram com um mergulho na história do carrinho de rolimã: que brinquedo era aquele, de tanto sucesso na década de 40, de que material era feito e qual a melhor maneira de produzir um exemplar que funcionasse? Essa etapa exigiu resgatar o conhecimento empírico dos avós e encontrar referências em manuais em vídeo da internet.

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Em pouco tempo, a turma reuniu as informações, mas começou a notar as dificuldades de trazer o projeto teórico para o mundo real. Os meninos e meninas perceberam que a altura da chapa de madeira altera a estabilidade do carrinho, que a posição do assento depende do estilo de pilotagem. E aí… voltaram a recalcular, reprogramar, observar os acertos do grupo ao lado, pensar em uma nova solução.

De alguma forma, é preciso dizer, toda a família participou do resultado. Teve pai que ajudou com a madeira, como Nelson Takeda, de 52 anos, comerciante de ofurôs e pai de Maíra, de 12, animado na torcida; tio que conseguiu as rodinhas usadas em uma oficina mecânica; mãe que foi atrás de lixa; e até avô que resolveu testar o carrinho antes de ficar pronto. Para resumir toda a história, conforme o projeto foi ganhando corpo, não se falava em outra coisa na escola ou em casa: era só carrinho de rolimã.

Os próprios jovens providenciaram os equipamentos de proteção, como capacete, kit de primeiros socorros e até ferramentas para reparo. “Eu me sinto muito realizado em ver como o projeto ganhou força e o apoio de todos”, diz o professor de educação física Maurício Caires Brito. “As crianças precisam se conectar ao trabalho manual e não podem perder as habilidades corporais”, reforça. A partir deste ano, a construção do carrinho de rolimã será um projeto de todas as turmas que iniciarem os 8ºs anos.   

Um carrinho que pode chegar bem longe!

Assista aos vídeos da experimentação do carrinho de rolimã na escola em 20162017:

Conheça as equipes e acesse fotos do evento, aqui.

Equipe Flashinho: Beatriz Matsubayashi, Bianca Martines Sader, Bruna Guerra Barletta, Fernanda Ayana Kariya, Jéssica Miwa Watanabe, Letícia Kato Tamaki, Maíra Anlyi Takeda, Maria Fernanda M Nakamura e Thaís Kaori Ikejiri.
Steve Pizza: Aika Takahashi Borges, Caio Hideki Onia, Giulia Tartuci Ferrari, Julia Kobayashi, Lucas Ken Soga e Maria Clara Gerazo.
Messi: Gabriel Watanabe, Julia Simono Salviati, Naoki Iwawaki, Nayra ramos Morón e Victor Taguti.
Donnuts: Amanda Tamaki, Fernanda Procknow, Juliana Tiemi Okazaki, Maria Emília Schmiedecke e Yuki Watanabe.
Cinco Estrelas: Catarina Kawai, Giovanna Tanaka, Giulia Ideriha, Gustavo Ouchi e  Nicholas Yuji Yamane.
Milk Way: Felipe Kubo, Vitória Moriki Silva, Larissa Yuki Atsumi, Nicole Mey Ikedo, Juliana Suzuki Huang, Yasmin Kaori Kashin Ogasawara e Giselle Angelo Tanabe.
Over Pimba: Gustavo Felicio Kariya, Gustavo Naoto Lida, Henry Chigusa, Jonas Caetano Xavier Lopes, Erik Shun e Eduardo Crispim de Moraes.
Galáxia: André Kubota, Vinicius Hideki, Lina Yamazaki, Julia Aiko, Lucas Kenji e Gustavo Lucas.
Splish Splash: Leticia Okuyama, Luiza Tami, Guilherme Kenzo, Pedro Teoi, André Jun e Cassio.