Ex-alunas da escola de corte e costura que deu início à Fundação se reúnem para uma tarde de muitas memórias e contações de histórias

Os abraços saudosos entre senhoras que se conheceram adolescentes e hoje são bisavós revelam que o tempo só fortaleceu laços de amizade que se formaram em sala de aula, há cerca de seis décadas.  Um grupo de ex-alunas da Casa de Ensino de Corte e Costura, conhecida como Akama Gakuin, instituição que há 84 anos deu origem à Fundação Michie Akama, se reuniu, no dia 23, no Centro Educacional Pioneiro. Algumas delas não se viam há 60 anos.

“Parece que foi ontem”, disse Iko Matsumoto Ahara, que ajudou a organizar o evento. Uma das “meninas” trouxe um álbum de formatura para ajudar a refrescar a memória e compartilhou com as colegas. Uma das mais jovens da turma, Takako Sogawa Yamada, de 77 anos, disse que ainda exerce a profissão de costureira. “Aprendi a coser vestido, saia rodada e camisa de todo tipo, mais do que isso, aprendi valores que levo para a vida”, disse, enquanto saboreava zabon, uma fruta cítrica do Japão, e tomava suco de indaiá.

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Lucila Mitsuko Iwasaki Suzuki, de 82 anos, já se aposentou da costura, agora passa o tempo praticando dança japonesa clássica. “Hoje é um dia especial, eu não podia perder o encontro”, afirmou a senhora japonesa, que chegou ao Brasil ainda criança para ajudar a família na lavoura de algodão, em Jaboticabal, interior de São Paulo. “A gente fica se lembrando dos acampamentos com a escola no Pico do Jaraguá e em Campos do Jordão com. A gente estudava, mas também se divertia bastante.”

Outra veterana, Michiko Matsumoto Watanabe, de 86 anos, se recorda que o período de guerra deixava tensa a escola de meninas: “A gente não podia falar japonês nem estudar nada sobre o Japão porque os fiscais proibiam”. Michiko estudou na escola de meninas de 1944 a 1951 e se lembra da vocação para os esportes. “Nós éramos estimuladas a experimentar a atividade física, me aperfeiçoei no tênis e hoje guardo uma coleção de troféus em casa”, orgulha-se.

Os esportes também estão entre as lembranças de Shigueko Matsubara Muramoto, de 91 anos. Para ela, festivais como o Undoukai eram o ponto alto da escola. “Momentos felizes em que nos reuníamos com a família e com os amigos, festas que ficarão para sempre na minha memória”, disse. Shigueko foi aluna de dona Michie Akama e revela o pulso firme da diretora: “Ela exercia uma educação para a vida, não para os livros”.

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O vínculo com a escola é ainda mais sólido entre as “meninas” cujos filhos e netos frequentaram o Pioneiro, como é o caso de Yasuko Suetomi Yoshida, de 85 anos.  Ela se sente feliz de saber que a educação vem sendo o fio condutor ao longo de gerações: “Posso te dizer que o tempo passou, mas que reconheço aqui tudo de bom que recebi no passado”. Yasuko mantém a boa forma andando dez quarteirões todos os dias e, nos finais de semana, se diverte com os netos em karaokês na Vila Madalena e na Liberdade.

Para o Pioneiro, é uma grande honra abrigar esse tipo de celebração, em que suas ex-alunas se reúnem em torno do legado da fundadora Dona Michie Akama. O objetivo de encontros como esse é perpetuar as boas práticas ao longo de gerações, resgatar a história da escola e de cada aluno, homenagear os antepassados e mostrar que a tradição convive muito bem com a modernidade.