Gabrielle Lie Takatsuka Fukamati – 8C – 2014

Esperávamos ansiosamente nossa vez chegar. A cidade que costumava ser pacata estava um caos; todos o queriam, mas poucos podiam tê-lo. Enviaram-no depois de um ano com a epidemia estourando, e o pior, enviaram poucas doses. Demos sorte e fomos mandadas para uma fila menor, os moradores contaminados estavam indo à loucura, pois só a cada hora um informante da situação vinha até nós. O soro fora dado apenas aos contaminados, quanto mais curados, melhor. Todos estavam desesperados por informação, pois quem fosse contaminado estava com os dias contados.

Minha neta segurava forte minha mão, provavelmente porque estava nervosa, odiava agulhas. Minha filha, sua mãe, havia sido vítima da epidemia, eu sei muito bem como é perder alguém que você ama assim de repende, sem aviso e saber que tudo poderia ter sido evitado se as autoridades tivessem pensado melhor na situação alarmante. Eu não aguentaria perder mais ninguém.

Horas haviam se passado, horas em pé na calçada despedaçada, faminta e sedenta por um lugar onde eu pudesse descansar por pelo menos cinco minutos. Minha neta mal podia manter-se em pé, era terrível.

Algum tempo depois, o que me pareceu na verdade séculos, um jaleco branco atravessou a porta, o rapaz moreno tentava abrir espaço no mar de desesperados, parou em um ponto, pegou seu alto falante e começou a explicar que restavam pouco mais de cinquenta doses, após terminar, retirou-se. A multidão foi à loucura, o vozerio era tão grande que provavelmente o mundo todo já estava ciente. Era como se eu tivesse recebido uma facada bem no meio do coração. Estaríamos todos condenados ao fim? Uns gritavam, outros choravam, estava claro que ninguém ali queria morrer, mas o veredito de morte já havia sido dado. Eu me sentia em um campo de concentração, a maioria morreria e ninguém poderia fazer nada. Recebia olhares de desespero de minha neta, aquilo só piorava as coisas. Abracei-a fortemente e mergulhei em pensamentos.

Quando ouvi meu nome, percebi que éramos as próximas, uma bomba de esperança explodiu em mim, mas logo foi substituída por outra, dessa vez tóxica. Todos aqueles que ainda tinham esperança, que esperavam o principal, estavam atordoados. Restava apenas uma dose, e seria de minha neta, não importava, ela tinha que viver, eu já havia vivido tanto. Não tinha medo de morrer, estava pronta para isso. Observei minha neta indo em direção à cura e, de certa forma, senti uma satisfação enorme dentro de mim. Eu iria garantir uma vida para ela, não importava o que me acontecesse.

Descrição da Atividade

(Puccamp 2001)

Observe atentamente o texto e a foto a seguir.

“Todo mundo queria saber, toda hora vinha alguém com uma notícia fresquinha. Então o vozerio aumentava, os comentários passavam de boca em boca, o murmúrio crescia. Que foi, que não foi?

A respiração suspensa, os olhos parados, a gente aguardava mais alguma coisa, a gente queria o principal (…).”

            (Autran Dourado)

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Imagine que as pessoas da foto estão vivendo a situação apresentada no texto.

A partir disso, redija uma narração, escolhendo na foto o narrador e uma das personagens de sua história.