Tatiana Miura – 9 B – 2016

Cara Borboleta,

Continua sensível e emotiva como sempre? Seus sentimentos ainda são como uma flor delicada que ao ser tocada se torna frágil?

Lembro-me de quando era uma pequena lagarta com muitos sonhos e desejos para serem realizados, mas era dependente e insegura de coisas que você não sabia como lidar. Presa com a timidez e o medo, o seu mundo era como um baú trancado que só se abriria com a chave das oportunidades.

Formando o seu casulo, você foi criando coragem e amadurecendo. Muitas vezes, durante essa rigorosa fase, se esforçou e fracassou, mas não desistiu de continuar tentando, se perguntando: Por que tudo tem que ser tão severo? E sempre respondia: Se tudo fosse fácil, a vida não teria graça. Continue insistindo em seus desejos.

Mas… E sua família? Acredito que ainda esteja te apoiando nos seus momentos mais complexos. E seu pai? Enfim ele largou o seu vício e passou a se cuidar melhor? Ou seu pulmão, fraco e queimado, como um tronco em chamas, permanece o mesmo? Você era inocente demais para achar que apenas pedindo a ele para parar de fumar, o impediria de continuar. Uma pena não ser assim. E a cada cigarro acendido, você se sensibilizava cada vez mais. Se frustrava com seu vício, mas você o amava e tinha medo de perdê-lo, assim como aconteceu com seu tio.

Todavia, o seu pai sempre foi uma das pessoas que esteve ao seu lado quando você precisou ou quando não precisou. Assim como a sua mãe, que até hoje sei que ela é a pessoa mais importante nesse mundo para você, e também é a pessoa que você mais ama. Sempre dizia a ela que você não queria crescer ou que queria voltar a sua infância e recomeçar tudo de novo, e toda vez que passava pela sua cabeça o fato de que algum dia você ia ser uma adulta, surgiam lágrimas nos seus olhos.

Mas, finalmente aconteceu, aquela pequena lagarta, tímida e insegura, saiu do seu casulo, tornando-se uma bela e corajosa borboleta, que voou para longe em busca de uma nova vida. E seu mundo, passou de um baú trancado que era, para uma flor inteiramente aberta. Talvez não possa ir muito longe, mas pode sempre sonhar!

Até daqui a pouco,

Pequena Lagarta

Destinatário: Borboleta, Mundo Soberano

Carta da aluna Tatiana Miura, 9º B.

Escrita para o Concurso Internacional de Redação de Cartas.

concurso_redação