Gabrielle Lie Fukumati – 1° ano do Ensino Médio – 2016

São Paulo, 29 de fevereiro de 2016

Querida Gabrielle,

Sentada na carteira da pequena sala provisória, escrevo para você, se lembra disso? A brisa fria da manhã, em pleno verão ardente toca a minha pele, apesar do frio, as carteiras que me rodeiam, ocupadas pelos meus amigos, aquecem o ambiente de uma forma agradável. Você lembra deles, ainda tem ou contato ou é próxima de alguns? Eu espero que você não tenha se esquecido, que não tenha deixado as boas memórias desse tempo para trás. Na verdade, é um dos meus grandes medos, o esquecimento. A ideia de deixar tantas memórias, tantos rostos familiares para o vazio me assusta.

Tenho certeza de que você é uma desconhecida para mim, imagino o quanto você deve ter mudado com o passar de tantas primaveras, me pergunto se o seu modo de pensar mudou drasticamente, assim como a sua visão de mundo. Provavelmente sim, já que a mudança é perceptível, rápida e inevitável na vida de um mero ser humano.

Assim como nós nos transformamos, o ambiente ao nosso redor também muda. Como está São Paulo, poluída e congestionada como de costume? Ou você já não mora mais na cidade? Eu espero que esta esteja no mínimo habitável. O ser humano resolveu finalmente cuidar do que temos de mais importante, a natureza? E quanto aos valores do ser humano, realmente espero que tenham evoluído. Estes resolveram lutar por todos seus direitos? Deixaram de lado a cegueira provocada pelos próprios seres da mesma espécie que por tanto tempo prejudicou a sua retina? Por mais que eu duvide muito, depositarei um pouco da minha esperança já baixa nisso. Em relação à política, acho que não vale a pena comentar sobre um assunto que muitas vezes me decepcionou, em relação a não ser exatamente o que deveria perante às suas designações.

E citando a decepção, eu espero que você não decepcione a Gabrielle de 2016, realmente espero que você tenha vivido aventuras, que tenha conhecido todos os lugares que planejou e que não planejou, que você tenha vivido de forma espontânea e sem arrependimento. Espero que você tenha se dedicado a alcançar seus objetivos, e que tenha conseguido trabalhar com o que te faz feliz. Espero que você esteja rodeada por pessoas que te fazem bem, que não são tóxicas, espero que você tenha ajudado a sua família e tenha se mantido próxima, a gratidão por eles é infinita.

Por último, espero que você não tenha se forçado demais em alguns momentos, que tenha aprendido que não há problema em pedir ajuda e que não tenha deixado a preguiça interferir nos seus objetivos. Mas, acima de tudo, eu espero do fundo do meu coração que você esteja feliz e que você não tenha se esquecido de mim.

Com carinho,

Gabrielle, aos 14 anos.

Carta da aluna Gabrielle Lie Fukumati, do 1° ano do Ensino Médio. 

Escrita para o Concurso Internacional de Redação de Cartas.

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