Beatriz Noda Sanches Gonçalves – 9B – 2016

Assim que recebeu a carta, dirigiu-se à janela em busca de claridade. Há muito esperava por notícias suas. A carta dizia o seguinte:

“Hoje, vencemos a guerra. Foi uma batalha que pediu sacrifícios, e o nosso foi 70000 homens. Felizmente, Gilbert, seu marido, não foi um deles.” Ao ler isso, Elizabete soltou um suspiro de alívio. Há uma semana esperava por notícias de seu amado, que há três anos partira para a guerra, deixando apenas o seu lado da cama vazio e memórias vagas.

A vontade de revê-lo era intensa, mas a força da guerra era maior. No perigoso território inimigo, qualquer um que não fosse um soldado treinado corria risco de morte. E a possibilidade de trégua ou paz era mínima. E a pior parte era que essa guerra parecia não estar nem no meio. Mesmo assim, sua esperança era maior que sua melancolia.

A carta continuava: “Por outro lado, por um golpe do azar, nosso melhor general está criticamente ferido. Ele insistia em lutar ao lado de nossos soldados e essa foi a consequência. Seu quadro é instável, estamos tentando o máximo não perdê-lo, porém sem muita esperança de sucesso.” A esse momento, ela já tinha explodido em lágrimas, não conseguiu mais se conter. A atitude descuidada de seu marido já tinha causado a perda de três dedos, e agora, provavelmente de sua vida. Ele era cegamente egoísta, querendo a todo custo lutar no campo de batalha, não se importando com quanto sofrimento causaria à sua pobre esposa.

Tomou fôlego e levantou-se para ler as linhas finais da carta: “Sabendo disso, Gilbert quer mandar-lhe suas possíveis últimas palavras: ___________”. Mas essas estavam borradas pelas suas lágrimas. Mesmo assim, sabiam quais eram. “Siga em frente, me esqueça.” Seria algo assim. Um pedido inútil e impossível. Depois de tantos anos, conhecia-o como a palma de sua mão, como a si própria, e deixá-lo para trás significaria deixar a si mesma para trás. Por isso, pegou um papel, uma caneta e escreveu: “Nunca vou te esquecer, te vejo daqui a pouco, estou indo!” Destino: Céu.

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Descrição da atividade

Nesta atividasaudadede, promovida em uma das aulas de Oficina Literária, os alunos deveriam observar a tela “Saudade” do pintor brasileiro José Ferraz de Almeida Jr. e imaginar o conteúdo da carta que está sendo lida pela moça. Em seguida, deveriam construir uma narrativa cujo início fosse: “Assim que recebeu a carta, dirigiu-se à janela em busca de claridade. Há muito esperava por notícias suas”.