Beatriz Noda – 8B – 2015

Dezesseis de janeiro de 2013. Esse foi o dia em que meu irmão mais velho parou de existir, esse também foi o dia de seu aniversário de 13 anos, quando ganhou seu primeiro smartphone.

Antes, quando retornava da escola, ia direto para a cama, ler um livro em seu quarto era seu passatempo favorito. Agora, assim que chega em casa, vai direto para o coma. O dia todo, fala com seus amigos e sua namorada no WhatsApp. Brinca de jogo da memória, coisa que fazíamos muito juntos, no seu celular. Esses malditos aparelhos eletrônicos, que engolem pessoas e destroçam almas e laços de amizade, apagaram a presença do meu irmão do nosso lar.

Quantos filhos, amigos, irmãos se separaram do mundo por causa da necessidade de estarem conectados? Não com a realidade, mas com a internet! Quantos anos de amizade foram destruídos por causa das redes sociais? Que de sociais não têm coisa alguma!

Aplicativos de mensagem, cujo propósito seria nos deixar mais conectados, criam um vão ainda maior entre o usuário, seus amigos e a realidade. Celulares são úteis, é claro. Com eles podemos nos comunicar, nos atualizar das notícias quando estamos longe do computador de casa e saber como estará o tempo. No entanto, quando usados em excesso, causam vício e dependência.

Nas ruas, antes, as pessoas olhavam para a frente e para os lados, para verificar se não havia alguém suspeito pelas redondezas e para atentar ao caminho que deviam seguir. Agora, olham para baixo, para ver as mensagens que recebem e o que seus amigos compartilharam, estão ficando corcundas!

Não é irônico? As pessoas compram celulares com o intuito de se unir umas com às outras, no entanto, o feitiço se virou contra o feiticeiro, e a nossa sociedade está mais fragmentada do que nunca.

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Descrição da atividade

Nesta atividade, feita durante as aulas de Oficina Literária, os alunos foram convidados a refletir sobre a crescente dependência das pessoas em relação à tecnologia, em especial os celulares. Dentre os vários aspectos abordados, um deles procurava responder à seguinte pergunta: “De que forma essa dependência está afetando nossa vida e a convivência social?” Após a exibição de alguns vídeos sobre o tema, fez-se uma roda de conversa na qual os alunos expuseram suas opiniões a respeito do uso dos smartphones. Como produção escrita, construíram uma crônica reflexiva sobre o assunto.