Débora Sebriam, Mestre em Engenharia de Mídias para a Educação.

culturadigitalA tecnologia é um valioso meio pedagógico. A integração da Internet e as distintas telas digitais (computador, netbooks, lousas digitais, máquinas fotográficas, filmadoras, iTouch, Tablets e Smartphones) pode mudar drasticamente a dinâmica da sala de aula.

Mas não se engane! A tecnologia sozinha não muda nada… É preciso mudar o modelo autoritário e unilateral que perdura há tempos na educação, caso contrário ocorrerá apenas uma extensão do meio tradicional de ensino também para o “meio tecnológico”. Temos que ter em mente que a tecnologia potencializa as relações humanas e as trocas advindas desta relação é que geram o conhecimento.

A educação é (ou deveria ser) um processo contínuo e não somente na época escolar. E o uso da tecnologia na escola permite trabalhar os conteúdos de forma mais dinâmica, fazendo com que alunos e professores sejam “autores” que interagem dentro e fora dos muros da escola. Isso dá um significado real ao cotidiano e não somente para um fim específico que “morre” ao término do trabalho.

No Centro Educacional Pioneiro caminhamos rumo à inovação pedagógica. Já nos apropriamos de distintas mídias, alunos e professores produzem suas próprias obras criativas em parceria, intensificamos a formação continuada de professores e pensamos em recursos educacionais abertos para compartilhar o conhecimento produzido dentro do colégio.

Onde estamos e onde queremos chegar

Blogs, games, vídeos, músicas, fotonovelas, histórias em quadrinho, animação, sites, e-books, redes sociais, mundos virtuais, comunicadores instantâneos, softwares educativos são alguns dos exemplos do que se pode usar ao propor um projeto aos alunos. A grande questão é: como fazer?

Todas estas interfaces que fazem parte da chamada web 2.0 podem contribuir para nos tirar da passividade e nos tornar produtores de conhecimento e cultura. Nossos exemplos:

Infantil e Fundamental I: os meios tecnológicos mais usados para enriquecer as aulas são os softwares educativos (como o Visual Class), vídeos, apresentações audiovisuais e games, mídias que auxiliam o professor no processo de alfabetização e aprofundamento dos conteúdos trabalhados em sala, tornando a aula mais interativa e centralizada no aluno.

Fundamental II: projetos inovadores em uma rica parceria entre alunos e professores. Blogs, jingles, fotonovelas, animações, vídeos e textos colaborativos são algumas das experiências realizadas nas diversas disciplinas do currículo. Também se aplicam os tradicionais softwares educativos (como Visual Class, Cabri e Graphmatica). Destaque para o trabalho de contos colaborativos da professora Izilda Makibara (pioneira no uso da web 2.0 no colégio, desde 2005). Desde então outros professores se apropriaram das novas mídias aplicadas à educação.

Ensino Médio: O trabalho colaborativo é palavra de ordem! Alunos e professores usam toda a potencialidade da Internet e das telas digitais como plataformas de aprendizagem, produção e compartilhamento do conhecimento gerado dentro dos muros da escola. Laboratório de informática, notebooks, smartphones, itouchs, tablets… A escola está literalmente na mochila e nos bolsos dos alunos. A produção e a comunicação entre professores e alunos acontecem em grande parte por meio da rede.

Período Integral Opcional: um grupo heterogêneo formado por alunos que têm entre 3 e 10 anos de idade e que participam do projeto de Tecnologia Educacional, colocando a “mão na massa”: usam a web, buscadores, games e produzem vídeos e imagens. Uma mistura entre protagonismo e autonomia que há dois anos gera grandes trabalhos, que podem ser vistos no blog da turma (www.iepioneiro.blogspot.com).

Projeto Cidadania Digital: comportamento, segurança e ética na Internet

Muitas questões norteiam este importante tema e o principal deles é sobre de quem é esta incumbência: escola ou famílias? O Centro Educacional Pioneiro acredita na parceria entre os atores escolares e as famílias para garantir uma orientação completa sobre cidadania digital.

Provavelmente você já se deparou com alguma notícia implicando punições judiciais contra adultos e adolescentes que ultrapassaram o limite do bom senso no mundo virtual ou profissionais que foram demitidos em decorrência do seu comportamento online. Estas e outras questões devem ser tratadas na escola e fazer parte do desenvolvimento pedagógico.

Por isso o projeto Cidadania Digital foi uma marco na nossa instituição, ganhando destaque na Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo e outras instituições ligadas diretamente à educação. Ele atende aos alunos, ao corpo docente e às famílias e está estruturado em três fases:

- Sensibilização: debates com alunos, professores e pais.

- Produção de conteúdo: criação de cartazes, folders, blogs, vídeos, sites e todo tipo de mídia com escolha dos próprios alunos.

- Disseminação: estudamos licenciar todo material em Creative Commons e compartilhar na rede.

Em 2011 completamos parcialmente a primeira fase, integrando toda a comunidade escolar (alunos, professores e famílias) para o debate, um processo baseado no grupo e no compartilhamento. Para 2012 daremos sequência a este trabalho e iniciaremos a produção de materiais de conscientização para toda a comunidade escolar, feita pelos alunos.